quinta-feira, 10 de julho de 2008

O Rock Werchter

O Rock Werchter é um festival que acontece na bélgica desde 1974. Virou um dos grandes da Europa (o maior da bélgica, com certeza;), do nível Glastonbury e Roskilde. Em 2008 o lineup tava bem legal...


Consegui armar minhas férias pro começo de julho e fui. Avião pra Paris, e bora pra Bélgica.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Day 1

Via um trem rapidão chamado Thalys (primo do Eurostar), chegamos em Bruxelas. Só que em Leuven (a cidade do Rock Werchter) não ia rolar lugar pra ficar mesmo, então a idéia (da tiazinha do box de informação) foi pegar um hotel na borda de Bruxelas, perto de uma estação de trem, pra gente poder ir todo dia. Deixamos as coisas no hotel e voltamos pra estação. No caminho do trem pra Leuven passamos por uma fábrica da Stella Artois, e eu pensei: "ah! Que bom presságio".


Logo na chegada da estação de Leuven já vi indicações pro Rock Werchter-busão. Em quinze minutos, ele deixou a gente numa estradinha que levava até a entrada do festival. Ao todo, de Bruxelas até a porta do festival a gente demorava uns 40 minutos. Parecia um bom negócio, afinal, ficar em bruxelas e viajar todo dia (mais tarde descobri que não foi tão bom assim, mas na verdade, não tínhamos opção;)


Pra pegar os ingressos foi fácil, o Box Office era tranquilo, sem filas e eficiente. Colocaram as pulserinhas na gente e entramos no mundo mágico do Rock Werchter. Até hoje não descobri o que é esse terreno do festival, mas parece uma fazenda, porque é grande pra caramba. De cara você já via o Main Stage, enorme, com um telão de cada lado. Legal é que os telões funcionavam perfeitamente de dia (eu vou em vários shows, não lembro de ter visto telões tão nítidos) - e tinha que ser assim, porque só começava a escurecer lá pelas 10 da noite!



Air Traffic, Mika e Couting Crowes nem me importavam tanto, mas Modern Skirts, Vampire Weekend e National deu dó de perder. Cheguei já com o Lenny Kravitz bombando. Torço o nariz pra qualquer coisa que ele tenha feito depois do "5", mas parece que ele está tomando jeito: engordou, cortou o cabelo bem curto (lembram da fase chapinha há uns anos atrás? Ele deve ter muita vergonha;) e tocou só coisa mais velha. Ponto pra ele.


Resumindo bastante, o festival era assim: um palco grandalhão e uma tenda, do lado esquerdo, chamada Pyramid. Em volta de tudo isso, e um pouco entre os palcos, barraquinhas de comidas, camisetas, caixas pra comprar os dinheirinhos do festival, banheiros, ações de patrocinadores e bebidas, bebidas, bebidas, bebidas. Nunca tomei tanta Stella Artois na vida;)

O som era ótimo, e na maioria dos shows dava pra ir bem pra frente, o povo só se apertava mesmo mais perto da grade. Numa distância bem razoável, tava quase sempre tranquilo (claro que não estou falando do show do Radiohead;)


Fui conhecer a Pyramid no show do Soulwax, que eu tinha ouvido bem pouco. Surpresa boa, som bem interessante, eletrônico na medida certa. Mas o que eu queria saber mesmo era de REM...


Bom, eu sou um R-E-Emer de carteirinha. Já tinha visto os caras no Rock in Rio (2001?), na grade, praticamente uma groupie;) Um dos melhores shows que vi na vida. Dessa vez não fui tão pra frente, mas foi bem legal porque os vídeos do telão não foram só imagens dos caras da banda, o tempo inteiro rolam umas interferências, com artes muito bacanas, às vezes é uma história, às vezes uma citação ao clipe como em Hollow Man... muito, muito, muito legal, fiquei bem impressionado. A base do show é o disco novo, que funciona MUITO bem ao vivo. Tocaram mais da metade do Accelerate, mas não faltaram vááárias pedradas, tanto as bem antigas como Driver 8 e Fall on Me, como mais recentes, tipo Bad Day e Man on the Moon (que fechou o show).


Olha só o setlist:

1. Orange Crush
2. Living Well Is the Best Revenge
3. What's the Frequency, Kenneth?
4. Ignoreland
5. Drive
6. Man-Sized Wreath
7. Imitation Of Life
8. Hollow Man
9. Walk Unafraid
10. Houston
11. Electrolite
12. The One I Love
13. Begin The Begin
14. Fall On Me
15. Let Me In
16. Horse To Water
17. Bad Day
18. I'm Gonna DJ

Bis
19. Losing My Religion
20. Supernatural Superserious
21. Driver 8
22. Pretty Persuasion
23. Man On The Moon

Peguei o começo do Chemical Brothers, e apesar do visual legal, fui embora pra estação cansado e feliz da vida.


Já era mais de meia-noite, e só às 5 da manhã rolou o primeiro trem pra Bruxelas. Então fiquei enrolando por horas na estação...

Day 2


Parecia que eu não ia conseguir. Acordei tarde, cansado, perdi o café da manhã, saí correndo e perdi o CoolKids e o Ben Folds - "mas cheguei a tempo pro Babyshambles", pensei. Entrei no festival e eles estavam entrando no palco. O Peter Doherty parecia estranho, tava sem chapéu sem gravata, peraí... era o Air Traffic! Na hora eu pensei "filho-da-puta, não veio". Exatamente. Botaram o Air Traffic (legal até, mas a decepção não me deixou prestar muita atenção) pra tampar o buraco. Cabou o show e fui correndo ver um pedaço do My Morning Jacket. O Pyramid tava lotado e deu pra ver só de fora, o finalzinho do show parecia bem legal (coisas do destino, uma semana depois consegui pegar um show deles em Londres). Dispensei a Duffy e fui de má vontade ver o show do Jay-Z.

Mordi a língua: tudo tocado, batera, metais, backing vocals, versão de AC/DC, puta show legal. E eu nem sou do Hip-hop.


Simplesmente desconsiderei a Duffy no Pyramid e fui pra frente pegar lugar pro show do Verve. Me dei bem. Bitter Sweet Simphony, Drugs dont work, Sonnet, o Richard Ashcroft é foda. Um dos caras mais feios do roquenrou (nesse quesito, nem o Thom Yorke ganha dele) e todo boi-tatá no palco: fica soltando umas frases de efeito-poesia entre uma música e outra... Mas é bom ter o Verve de volta. A carreira solo do feioso não era lá essas coisas.


O Pyramid continuava lotado, show do Hot Chip. Como vi os caras no Tim, decidi continuar no meu bom lugarzinho pra ver o Neil Young. E me dei bem de novo. Puuuuuta show, só velhinhos no palco quebrando tudo (até o roadie ostentava um bigodão branco, parecia aquele velhinho do Cocoon;). Eu adoro o jeito displicente dos solos dele. Quando crescer, quero ser Neil Young.

Desisti do Moby e do Digitalism. O primeiro, por não fazer um disco legal há anos. O segundo, porque deve vir pro Skol Beats.

Pulei tanto que minhas pernas doíam em lugares nunca dantes doídos. Fui pra estação pegar o último trem pra não ter que esperar até as 5 da madruga, porque no dia seguinte tinha Radiohead, e eu precisava estar inteiro.

Day 3

Cheguei quando o Gossip tava tocando no Main Stage, passei reto de caso pensado (a última notícia que eu tinha é que eles vinham pro Tim), e peguei o MGMT no Pyramid. Que boa banda, os moleques são foda. Melodias legais, teclados esquisito-bonitinhos, o povo cantando junto. Cena bonita de se ver, só faltou todo mundo se abraçar. Antes que isso acontecesse, corri pra ver o Hives no Main Stage.


Que delícia, como eles são picaretas! Fora Hate to Say I Told you So, quase nada dos caras presta, mas o show é bem divertido, o tal do Howlin' Pelle Almqvist é divertido. Tava num lugar bem bom, bem pertinho do palco e decidi ficar por ali porque rolava uma sequencia matadora:

Editors...


Kings of Leon...

E Ben Harper.
Eu gosto bem do Editors (e o tal de Tom Smith adora REM, o que conta muitos pontos pra ele). Mas não esperava o povo cantando junto Munich ("Imm sooo glad, i fooouuunnnd thiss") e várias outras. Só tenho mais uns 3 amigos que conhecem Editors. Ah, como a Bélgica é legal;)


Kings of Leon eu tinha visto no Tim (2005?). Eles são a fuder, nem ouvi o último disco, mas tudo era legal, bem tocado, o baterista é fodão, os timbres de guitarra são lindos. Só senti falta de uma das minhas músicas preferidas, California Waiting.

Do Pyramid, eu já tinha perdido Donovan Frankenheiter e a Kate Nash, meu plano era ver só o começo do Ben Harper e ver a KT Tunstall, mas não consegui largar... já vi uns 3 shows dele, e cada vez acho mais foda. A KT dançou, mas tudo bem, já tenho ingresso pro show dela aqui.


Tentei ficar onde estava pra me preparar pro Radiohead, mas o Sigur Rós era inaudível! Bando de gente chata! Gritos, guitarra tocada com arco de violino, fantasias e chapéus-coco, um puta saco. Tudo bem, o visual do palco era legal, teve chuva de papel e tudo mais, mas nunca consegui entender o as pessoas vêem nesses caras, juro por Deus. Talvez o Fabio Massari um dia consiga me explicar.

Fui pegar o final do Gnarls Barkley, que tava lotadaço, e voltei pra me enfiar no meio da multidão e esperar o Radiohead.



Por mais expectativa que eu tivesse, não me decepcionei. Show redondaço, com umas videografias incríveis no telão.
Tinha pelo menos uma microcâmera pra cada um dos caras, a luz era foda (o conceito era de cores bem definidas pra cada música), layers de telas, projeções misturadas com a iluminação, umas ripas de leds que nem sei explicar direito. Só vendo.

O som estava impecável. A base do show, lógico, foi o In Rainbows (Bodysnatchers é um negócio de outro mundo ao vivo), mas os caras têm músicas legais pra fazer umas 3 horas de show. Olha o Setlist...

01 Weird Fishes/Arpeggi
02 The National Anthem
03 Lucky
04 All I Need
05 There There
06 Nude
07 Climbing Up The Walls
08 The Gloaming
09 15 Step
10 Faust Arp
11 How To Disappear Completely
12 Jigsaw Falling Into Place
13 Optimistic
14 Just
15 Reckoner
16 Idioteque
17 Bodysnatchers

Bis

18 Videotape
19 You and Whose Army?
20 2+2=5
21 Paranoid Android
22 Everything In Its Right Place


Quase morri de tanto pular. E quase morri de esperar o primeiro trem pra Bruxelas - dessa vez dei uma dormidinha na estação...

Day 4


Cheguei umas 3 da tarde, mas tenho certeza que não perdi nada de importante (Devotchka? Tim Vanhamel? Panic at The disco? AH, façam-me o favor). No palco principal tava uma tal de Anouk chata, chata, chata. Passei reto e fui pra Pyramid, ver o Hercules & the Love Affair.


Legal, mas nada demais. O Antony (do Antony and the Johnsons) não tava junto, parece que ele só canta nas gravações e em algumas apresentações especiais. Fiquei até o final e fui ver meus queridos amigos The Kooks.



Tooodo mundo (eu, inclusive) cantou Paper Jeans, Naive e várias outras. O moleque é bom, canta pra caramba, e tem uma voz bem especial. Show de ficar pulando. A essa altura, minhas pernas já doíam tanto que eu já tinha acostumado. Cabou o show e corri pra Pyramid ver o finalzinho do Mark Ronson. Nada demais também, quando eu cheguei ele tava estragando a música do Smiths. O povo gostou. Eu torço um pouco o nariz. Sei lá, pra mim o melhor do Mark Ronson é a Amy Winehouse mesmo.

Corri de novo pra pegar o Raconteurs. Ra-con-teurs, como em francês, é assim que se fala. Jesus, que show. Como é que pode, uma banda em que o Brendan Benson é backing vocal! O show é bem cru, sem grandes firulas de luz e no telão, mas é foda musicalmente. A guitarra (uma Gretch cromada) e os timbres do Jack White... puta que pariu (ele tem uma maquininha de fazer barulho e cortar o sinal que eu preciso descobrir o que é, quero uma;) E pra minha felicidade o Brendan canta umas três músicas! Puta show.


Corri pra ver o final do Grinderman (a outra banda do Nick Cave) e tava lotadaço... vi de fora, pelo telão. Bem porrada, como o disco. Eu nem gosto muito do disco, mas gosto do Nick, e ele é bem bom de palco. Mas não vi muito, já ia começar o Kaiser Chiefs...



Vixe maria! O cara é louco! Subiu na grade de sustentação do telão, correu de lá pra cá, pulou no meio da multidão... as músicas estavam um pouquinho mais lentas, mas só eu percebi, o povo tava adorando... também eles tocaram tudo que o povo gosta, show redondinho e pra pular bastante.

Nem fui ver o Justice (que deve vir pro Brasil), e fiquei por ali esperando o Beck. Que surpresa boa, as músicas tem versões bem diferentes, mais guitarrudas. É uma banda pequena, com 5 pessoas (quando vi no Rock in Rio tinham umas 20 pessoas no palco, sem brincadeira), uma mina guitarrista super descolada. Abriu o show com Loser e quebrou tudo. Cabeludo como nunca, e cool como sempre.

E o setlist...
* Loser
* Nausea
* Pollution (short)
* Girl
* Time bomb (short)
* Minus
* Sexy laws (short)
* Gamma Ray
* Modern guilt
* Soul of a man
* Think I'm in love
* Youthless
* Devil's
* Sunday sun
* Gotta learn
* Lost cause
* Black tambourine
* Walls
* Chem trails
* Where it's at
* EPRO


Missão cumprida. Dessa vez não precisava ir pra estação, porque uma amiga francesa tinha ido de carro e a gente ia direto pra Paris. Ô, mordomia;)

Geral

- Os números que eu achei sobre o festival variam bastante, mas parece que passaram por lá uma média de 80 mil pessoas por dia. Os dias do REM e do Radiohead com certeza pareceram os mais lotados - os ingressos pra esses dias estavam Sold Out faz tempo (eu comprei o combo, pros 4 dias).


- Uma coisa mal planejada: o som do palco principal vazava no Pyramid porque muita gente ficava pra fora da tenda - ou escolheram errado as atrações, ou a tenda tinha que ser bem maior;

- Mas o som em geral era muito bom - principalmente do Main Stage, surpreendentemente claro, sem distorção, e num volume legal em qulquer lugar que você estivesse;


- Aliás, esse foi o forte do festival pra mim: tudo que realmente importava (som, palco, banheiro, transporte) funcionou perfeitamente. Não peguei fila pra nada, nem pra banheiro, nem pra ônibus (mesmo no dia do show do Radiohead).


- Os lixos coelho...


...e cenoura eram super legais;)


- Rolou uma chuvinha no primeiro dia, o que causou uma certa lama. Mas não choveu nos outros dias, teve até bastante sol.


- O Esquema da troca de copos por bebida era muito legal: juntando vinte copos e você trocava por uma ficha de cerveja. No final do festival o chão não estava exatamente limpo, mas tinha de tudo, menos copos. Tinham uns loucos (como essa cara aí de baixo) que passavam horas pegando copos pra beber de graça;)


- A guitarra preferida de 9 entre 10 guitarristas do festival é a semiacústica, tipo 335 ou Epiphone. Essa do Tom Smith é linda... deu muita vontade de comprar uma.


- A Coca-Cola tinha uma ação legal: enfermeiras belgas gostosas (oolá eeenfermeira!;) faziam massagem grátis...



- Nunca comi tanta batata na minha vida - eram boas, mas o jeito que eles comiam era nojento, cheio de maionese, ou algum outro molho de nome indizível. Eu sempre tinha que gritar "JUST POTATO" antes que eles estragassem as minhas. Ainda bem que achei uma barraca que fazia uns vegetais numa mega-Wok, senão teria comido só batata e hambúrguer. Os Hambúrgueres também eram bons, mas eu normalmente comia fora do festival, porque era mais barato;


- Olha só o nome e o logo da barraca;)

- Achei esquisito esse esquema de uma pulseira que você tem que ficar usando durante 4 dias, mas funcionou perfeitamente e durou até o final;)


Amigos na grama, entre um show e outro.


Enfim: Werchter vale BEM a pena. A organização é boa, os Belgas são legais, e o lineup é fudido. Um dia eu volto.